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Política

Ibrahim Traoré aos líderes religiosos: “Não adormeçam a juventude”

Foto: Bamjo226 / Wikimedia Commons (CC0).
O presidente do Burkina Faso, capitão Ibrahim Traoré, pediu aos líderes religiosos que ajudem a juventude a desenvolver o sentido crítico e a cultura do trabalho. A intervenção aconteceu no dia 4 de setembro de 2026, em Ouagadougou, durante a Jornada da Excelência Escolar. O trecho da intervenção, partilhado no Instagram do Sem Truques, concentra-se na relação entre religião, responsabilidade individual e desenvolvimento. Perante alunos, professores, profissionais da educação e responsáveis religiosos, Traoré criticou interpretações religiosas que, na sua opinião, podem levar os jovens à resignação e à espera passiva por soluções. Ao dirigir-se aos líderes religiosos presentes na cerimónia, o chefe de Estado deixou um apelo direto: “Não adormeçam a juventude. Façam-na trabalhar.” Traoré defendeu que a fé não deve ser apresentada como substituto do esforço, da procura de conhecimento ou da contribuição de cada pessoa para a comunidade. A mensagem não foi uma rejeição da religião, mas uma crítica ao seu uso como instrumento de resignação ou dominação. Segundo o relato oficial do Governo burquinense, Traoré afirmou que os fracassos humanos não devem ser atribuídos automaticamente à intervenção divina e insistiu na necessidade de ação, trabalho e responsabilidade coletiva. O discurso foi proferido na sexta-feira, 4 de setembro de 2026, em Ouagadougou, durante a edição de 2026 da Jornada da Excelência Escolar do Burkina Faso. A cerimónia distinguiu alunos, professores e outros profissionais da educação pelos resultados alcançados ao longo do ano letivo. O encontro decorreu sob o tema “Cultivar a excelência escolar no contexto da refundação da escola burquinense”. A iniciativa integra o esforço das autoridades para reorganizar o sistema educativo e aproximar a formação dos objetivos de desenvolvimento e soberania nacional. A intervenção de Traoré foi além da questão religiosa. O presidente voltou a defender uma orientação mais forte dos estudantes para as áreas científicas, técnicas e industriais. Dados apresentados durante a cerimónia indicam que, entre cerca de 65 mil alunos que concluíram o ensino secundário, mais de metade pertence às áreas literárias, enquanto apenas 571 concluíram a série C e 38 a série E. Para o chefe de Estado, este desequilíbrio limita a capacidade do país para formar técnicos, investigadores e profissionais necessários à industrialização. Traoré associou, assim, a reforma educativa à soberania económica do Burkina Faso, defendendo que o país precisa de produzir conhecimento e competências próprias. Ao destacar esta parte do discurso, o Sem Truques apresentou ao público lusófono o contexto de uma intervenção dirigida sobretudo à juventude e à comunidade educativa burquinense. O vídeo gerou milhares de reações e comentários sobre fé, educação, autonomia e liderança africana. A mensagem central de Traoré foi a de que crença, estudo e trabalho não devem ser vistos como caminhos opostos. No seu entendimento, a transformação do Burkina Faso exige jovens capazes de questionar, adquirir conhecimentos científicos e participar ativamente na construção do país. Imagem: frame do vídeo publicado pelo Sem Truques.
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