O grupo cabo-verdiano Mon Na Roda regressou de Cascavel, no Paraná, com duas medalhas de ouro conquistadas nos eventos de dança inclusiva realizados entre 9 e 13 de setembro. A delegação, liderada por Miriam Medina, participou nas atividades ligadas ao 25.º Campeonato Brasileiro de Dança Esportiva em Cadeira de Rodas e ao festival internacional de dança inclusiva, num encontro que juntou competição, formação e partilha cultural.
Por não serem brasileiros, os representantes de Cabo Verde não podiam entrar na categoria nacional do campeonato. Competiram, por isso, na categoria Open de Dança em Cadeira de Rodas, onde conquistaram uma medalha de ouro. A segunda medalha de ouro chegou na Mostra de Dança Inclusiva. As duas distinções representam Cabo Verde, explicou Miriam Medina ao Sem Truques.
A presença do grupo no Brasil esteve em risco até muito perto da partida, devido à dificuldade em reunir patrocínios. Segundo Miriam, a segunda passagem só foi conseguida no próprio dia da viagem. Depois de um percurso longo e cansativo, a delegação chegou a Cascavel na véspera da competição. Ainda assim, Miriam considera que o esforço valeu a pena, pela receção, pelos resultados e pela possibilidade de mostrar o trabalho que o grupo desenvolve.

Durante a estadia, Miriam Medina foi também homenageada pelo seu percurso e pelo trabalho de liderança de um grupo de dança em cadeira de rodas. Em informação transmitida ao Sem Truques, afirmou que, desde 2016, é a única mulher do continente africano à frente de um grupo desta modalidade naquele circuito internacional.
O programa incluiu duas oficinas de funaná, uma dirigida a crianças e outra a adultos e pessoas com deficiência. O grupo escolheu “Tubarão Azul”, dos Ferro Gaita, para apresentar a cultura cabo-verdiana e homenagear Bino Branco, músico já falecido. Miriam contou que o ritmo foi muito bem recebido pelos participantes brasileiros, que chegaram a compará-lo ao forró, embora o funaná seja mais acelerado.

Além da dança, a viagem abriu espaço para conversas sobre Cabo Verde. Miriam relatou que muitas pessoas passaram a identificar o país como a terra do guarda-redes Vozinha. Entre medalhas, oficinas e encontros, a participação do Mon Na Roda reforçou a presença cabo-verdiana num espaço internacional de inclusão, mostrando que a dança também pode ser uma forma de representação, autonomia e ligação entre culturas.
